ÍNDIO É PROGRESSO


Da época da colonização para os tempos atuais de certa forma ocorreu uma evolução no relacionamento da sociedade para com os povos indígenas. No início foram escravizados. Pouco mais de um século depois, com o advento da escravização africana foram perseguidos para serem mortos por serem considerado “estorvo” para os caçadores de tesouro. Com o tempo, foi-se caipirizando e caboclando os remanescentes das mais diversas etnias e apagadas suas memórias ancestrais. 
 Somente na metade do século XX é que começou a haver um interesse mais humanista pela diversidade étnica brasileira, que coincidiu com o delineamento da democracia nos anos 80, colaborando  também para surgir um movimento de cidadania indígena e revitalização de suas lutas históricas.
No passado foram as chamadas “bandeiras” que destituíram milhares de comunidades de suas tradições e modo de ser. Atualmente  a pressão de grandes obras de infraestrutura em locais que por direito é destinado á povos indígenas ou á preservação ambiental é uma ação que causa desestruturação social e ecológica, afetando não somente culturas indígenas, mas a sociedade como um todo.
Não sou contra obras de infraestrutura,  ocorre que em pleno século XXI já temos tecnologia e inteligência para realizar obras de mínimo impacto e ecologicamente e economicamente viáveis. O modo como o ser humano se relaciona com a natureza hoje envolve um paradigma civilizatório. Que é o seguinte: de um lado o desenvolvimento impulsionado pela cobiça e ganância, e do outro lado uma visão evolutiva baseada no cuidado ambiental e no respeito á pluralidade de culturas tradicionais. Qual delas representa verdadeiramente o progresso?
Com relação á projetos de lei de diminuição de terras indígenas, estes estão baseados em uma patologia que domina parte dos congressistas: ignorância vestida de corrupção e ganância. Observe que todos os que defendem a diminuição de terras são os mesmos que amealharam milhões de empreiteiras e que estão na temida lista do Lava Jato. São indivíduos decadentes moral e eticamente, mas que se arvoram e se fortalecem de conluios no poder legislativo. Nesse sentido, temos que fazer um esforço muito grande, enquanto sociedade civil, para tirá-los de lá pelo voto consciente.

Por isso durante a semana dedicada ao “índio”,  diversas organizações dos mais variados matizes ideológicos estão realizando atos públicos. O que todas tem em comum é alertar para o perigo que estamos passando com a possibilidade de vermos tais projetos de lei que destroem a natureza  e desestabiliza comunidades indígenas se tornando oficiais.  Queremos alertar a sociedade brasileira que esses projetos beneficiam somente três  tipos de pessoas: os executivos de empreiteiras e os produtores de veneno para a terra, que chamam de “agrotóxicos”  e os interessados em minério do subsolo amazônico. E podem ter certeza que os possíveis lucros monetários advindos disso não serão compartilhados com o cidadão comum. Quem se beneficia é meia dúzia de pessoas e talvez boa parte delas nem no Brasil vivem. 
Enquanto grupos políticos com interesses meramente mercenários tentam impor leis visando causas próprias, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulga estudos afirmando que as culturas tradicionais indígenas quando tem seus territórios preservados prestam um serviço global: colaboram para o equilíbrio do clima na Terra. Portanto, índio é progresso. Colabora para a manutenção da vida humana.


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